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Há vida! Para além do Covid-19...Há vida!

Publicado em 14-04-2020

A opinião pública e os dirigentes políticos, a nível mundial, vão-se dividindo entre a defesa rigorosa e intransigente da saúde pública, sobrepondo-a a quaisquer outras necessidades, e os que se parecem preocupar mais com os catastróficos resultados na economia e as suas consequências a nível de desemprego e perda de rendimentos.
Apesar de estarmos perante um fenómeno novo, de que muito ainda há por descobrir, talvez a velha máxima popular de que «no meio está a virtude» seja também aqui aplicável, e a solução esteja nesse difícil equilíbrio entre o estrito cumprimento de todas as normas de protecção e segurança, e a continuidade da vida económica, nomeadamente da actividade produtiva.


Ou seja, as pessoas e as empresas devem adoptar as medidas de confinamento e afastamento, para além de todas as outras regras de higiene bem conhecidas, mas sem levar ao extremo da paralisação quase total da economia. Porque o prolongamento desta paralisação é realmente fatal para as empresas e para as pessoas, provocando um tremendo impacto económico e social, de que por certo iremos recuperar, como sempre temos recuperado, das guerras mundiais às crises financeiras, mas que vai afectar profundamente e por muito tempo a vida de todos nós.
As medidas que o governo possa tomar serão apenas mitigadoras, até porque em grande parte dos casos são de «empurrar com a barriga para a frente», são adiamentos ou empréstimos a pagar mais tarde, e muitas vezes de aplicação condicionada à verificação de pressupostos que as empresas não reúnem. O governo, que também não tem condições para fazer muito mais, sem encontrar recursos adicionais, vai ainda melhorar algumas medidas ou facilitar outras, quer por constatar essa necessidade, quer para dar resposta à pressão dos parceiros sociais, mas nada substitui o regular funcionamento da economia, com as empresas a laborarem normalmente, ou quase...!
Claro que a defesa da vida humana é e tem de ser a prioridade absoluta, mas temos também de procurar conciliar essa defesa com a sobrevivência das empresas, e do emprego, obrigando-as a adoptar especiais medidas de protecção e segurança, a fazer despiste de possíveis contaminações, sob rigorosa vigilância das autoridades competentes, mas sem impor soluções mais radicais que passam pura e simplesmente pelo encerramento, sendo possível existir alternativa.
Já se fala que o «pico» da pandemia será afinal para o fim de Maio, a ser assim, um início, repito, um início do regresso à normalidade virá a ocorrer lá para o fim de Junho; e já nem falamos dos rumores duma segunda vaga que poderá aparecer, ora a generalidade das microempresas da nossa região, e são a larguíssima maioria, não resiste a um encerramento forçado por mais 3 ou 4 meses.
Temos de encontrar o equilíbrio, disseminando os testes de despiste, obrigando ao cumprimento de estritas medidas de protecção, insistindo na necessidade da contenção social e do confinamento, procedendo à desinfecção de vias públicas e locais mais sensíveis, mas permitindo o mais depressa possível alguma retoma da vida económica.
Também se deve ver o outro ângulo do problema: é que, à data de hoje, a quase totalidade das empresas está afectada, mas bem mais de 99,9%, noventa e nove vírgula nove por cento da população portuguesa não está infectada.

Artigo de opinião de autoria de Jorge Pais – Presidente do Nerpor/ Associação Empresaria
Publicado no Jornal Alto Alentejo, nº 666, de 1 de Abril de 2020

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