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Entrevista Parapal

Publicado em 25-10-2022

No âmbito dos 30 anos de atividade da empresa Parapal, localizada em Portalegre, no passado dia 16 de setembro, a NERPOR dirigiu-se às suas instalações para entrevistar António Martins, dono da empresa.
Foram realizadas várias questões que permitiram conhecer melhor este negócio, tanto em história, como em todos os desafios enfrentados no dia-a-dia e o sucesso alcançado nos seus tantos anos de funcionamento.
“Quando me falaram de um anúncio do NERPOR sobre a venda da empresa, decidi ir falar com a antiga gerência e acabámos por negociar, e daí foram percorridos estes 30 anos. Adaptei-me a um comércio que não tinha nada a ver com a minha área de trabalho, mas arrisquei.” E foi assim, que António Martins começou a sua atividade na Parapal até aos dias de hoje.
Disponibilizamos em baixo a entrevista completa, para que descubra tudo sobre este percurso:

NERPOR – Fale-nos um pouco do seu negócio. Como é que nasceu a PARAPAL?
Sr. António Martins - Esta empresa já existia, A Parapal era conhecida como a casa das lâmpadas. Isto porque a antiga gerência começou por vender bombas elétricas e lâmpadas e eu recordo-me de em miúdo ir lá comprar lâmpadas para a bicicleta. Ainda vendemos milhares de lâmpadas, porque a empresa era conhecida por isso mesmo, e nós demos essa sequência. No entanto, estava para fechar portas e surgiu-me a oportunidade de a comprar em 1992. Quando me falaram de um anúncio do NERPOR sobre a venda da empresa, decidi ir falar com a antiga gerência e acabámos por negociar, e daí foram percorridos estes 30 anos. Adaptei-me a um comércio que não tinha nada a ver com a minha área de trabalho, mas arrisquei. Depois, à medida que a empresa se foi desenvolvendo, eu fui admitindo mais alguns funcionários e trabalhei onde é hoje a sede social da empresa, e foi lá que ficámos durante 15 anos. Depois, investi aqui na zona industrial, onde hoje nos encontramos.
Com 15 anos foi admitido um dos meus filhos, uma mais-valia muito grande que ganhei com a entrada dele. Hoje já me ultrapassa e muito, dado que se trata de sangue mais novo e já se adapta mais às novas tecnologias e ao mercado atual. Mais tarde, veio também o meu outro filho, que na altura tinha terminado o serviço militar e também se integrou na empresa. A seguir, veio a minha filha que está aqui presente, que depois de ter feito a sua formação académica, foi uma mais-valia, dado que se formou em gestão e eu estava aqui a precisar de uma gestora e ela “agarrou o barco” nesse sentido. O meu filho mais velho, como disse, está na área comercial, ele é que compra, vende e contacta os fornecedores e é quem neste momento desenvolve a parte que eu costumava fazer. Depois tenho o outro meu filho que é um bom colaborador, na medida em que agarrou toda a parte técnica informática. Não tem sido um caminho sempre fácil, falamos de muitas horas de trabalho e empenho, sobretudo desta camada mais jovem, principalmente os meus filhos e também os meus colaboradores. Nunca esquecendo os clientes, porque sem eles não conseguíamos estar onde já estamos hoje.
NERPOR – Com quantas pessoas é que iniciou na Parapal e quantas é que emprega atualmente?
Sr. António Martins – Iniciei com um colaborador, e neste momento já somos 11, exceto eu, que vou dando o meu contributo todos os dias e a minha esposa que também vem para aqui ajudar de vez em quando. Nós fazemos o distrito todo de Portalegre, vistamos também diversos clientes nos concelhos de Estremoz, Borba e Vila Viçosa. Posso dizer que nos concelhos de Castelo de Vide, Marvão e Arronches temos um enorme impacto, pois temos variadíssimos clientes que nos adquiriram as máquinas registadoras e atualmente se mantêm fidelizados com os P.O.S´s.
NERPOR – E de há 30 anos para cá quais é que foram as principais dificuldades que encontrou?
Sr. António Martins – Neste momento estamos a enfrentar algumas dificuldades, com falta de alguns artigos e com o aumento dos preços. Passei por algumas dificuldades financeiras, mas fui sempre cumprindo os meus compromissos. Na altura quando foi para construir este armazém tive de hipotecar tudo e inclusivamente conjugar com a reserva do imóvel lá de cima. Passei dificuldades, mas sempre a crescer e, a passos curtos, acabei por comprar o imóvel onde é hoje a sede social da empresa. Para mim, o dia teve sempre sol durante 24 horas e durante muitos dias, apenas 2 ou 3 horas para dormir.
NERPOR – Já o ouvi dizer várias vezes a palavra “papelaria”, diria que essa é a palavra certa para descrever o seu negócio?
Sr. António Martins – Exato, era aí que eu me gostaria de alargar. Eu dediquei-me um pouco à exigência do mercado, e quando comecei eu não percebia nada de papel. Fui acompanhando a exigência do mercado e as professoras que passavam por cá perguntavam: “Porque é que o senhor não tem isto? E isto?” E eu cheguei a ir 3 vezes por semana aos fornecedores em Lisboa. Chegava cá às 11 horas da noite com a mercadoria, para as 9 horas do dia seguinte estar a vender. A Parapal não tinha nem uma centésima parte do movimento que tem hoje, mas trazia o carro carregado. O meu dia começava antes das 9 horas, acabando sempre a trabalhar ate às 20/21 horas da noite. Foi sempre assim que habituei esta empresa a trabalhar e os clientes habituaram-se a que nós cumpríssemos sempre. Ainda hoje funciona assim, você chega aqui e precisa de um tinteiro ou uma coisa que tem alguma dificuldade em adquirir e que não encontra na concorrência, chega aqui e se nós por acaso não temos, nos dias seguintes teremos seguramente.
Um dia, um fornecedor meu amigo pessoal, soube que eu estava na papelaria e sugeriu que começasse a vender para a restauração, porque ele era fabricante de toalhas e guardanapos de mesa. Eu disse que realmente era uma boa ideia, e ele disse-me que se não conseguisse pagar a 30 dias pagava a 60. Ao fim de 15 dias já lhe estava eu a telefonar a dizer que precisava de mais artigos. Foi nessa altura que eu, juntamente com os meus filhos vimos que havia possibilidade de alargar o leque do mercado para outras vertentes. Avançámos para a área dos POS, dando sequência às máquinas registadoras, avançámos com os consumíveis de informática, Brindes Publicitários e Carimbos feitos na hora, dado que era um serviço que a nossa Região estava carenciada. Ultimamente avançámos na área dos detergentes que já nos eram muito solicitados. O sabonete líquido foi também outra vertente que se desenvolveu, começou a ser obrigatório ter as saboneteiras e os toalhetes em papel. Recordo-me que a primeira vez que comprei toalheiros, saboneteiras e suportes de papel higiénico numa fábrica em Ovar as pessoas disseram que como armazenistas o mínimo que vendiam eram 20 unidades de cada, portanto tinha de vender um total de 100 unidades, o que achei muito na altura. Hoje em dia estamos a comprar 100 unidades de cada modelo e rapidamente se vendem, pois, o preço é competitivo e temos tido sempre esse cuidado. Também nos começaram a ser solicitados copos, pratos e talheres, o que se revelou mais uma vertente que neste momento está a ter uma boa aceitação, porque as pessoas na região de Portalegre não tinham um sítio onde comprar estes produtos. Analisando tudo, existem várias vertentes na empresa, nós vamos às pastelarias, aos restaurantes, aos snack-bares, às juntas de freguesia, às papelarias e às mercearias, onde praticamos preços adequados a todos.
NERPOR – Mas esse hábito que criou e que foi passado aos trabalhadores, foi passando com que valores? Para si, quais são os valores mais importantes a ter na PARAPAL, ou a ter numa empresa?
Sr. António Martins - O valor mais importante é satisfazer o meu cliente. E procurar crescer para ter outras condições de vida, é o que tenho procurado fazer, ganhando dinheiro honestamente, mas trabalhando muito. Não há ninguém que se dedique a trabalhar as horas que eu trabalhei nesta empresa, e continuo! Já estou aposentado, e neste momento podia estar sossegado a ler um livro ou a ver televisão, mas sinto-me bem aqui a trabalhar.
NERPOR - Sente que vai crescendo à medida que as necessidades vão aparecendo…
Sr. António Martins - Exatamente. Um pouco atrás daquilo que o cliente nos solicita. Portanto, o cliente solicita-nos alguma coisa, para nós, a palavra “não” não existe nesta casa. O cliente se vem à nossa casa é com o intuito de procurar ser servido, como tal nós temos de servi-lo. Muitas vezes até com prejuízo, mas o cliente não sai daqui insatisfeito.
NERPOR – Já me disse que trabalha com o distrito de Portalegre e Évora. Consegue sentir que a dimensão do seu negócio é uma mais-valia aqui para a cidade?
Sr. António Martins - Muito. Eu penso que seja uma grande mais-valia. Eu sinto que as pessoas cada vez mais veem que nós temos o que precisam e com preços muito competitivos. E temos até capacidade neste momento para nos alargarmos mais, mas claro que temos algumas reservas, porque isso implica admitir mais colaboradores e como se costuma dizer “quanto maior é a nau, maior é a tormenta”. Temos clientes há mais de 20 anos! Claro que temos levado alguns atropelos, mas no geral o balanço é muito positivo.
NERPOR – Foi este o negócio com que sempre sonhou?
Sr. António Martins - Digo-lhe sinceramente, nunca pensei vir para a área do papel. O meu trabalho começou no ramo do ciclismo. Trabalhei 18 anos a vender bicicletas e motorizadas, mas sempre gostei dos brindes publicitários, então vendia calendários a alguns clientes, com o consentimento da empresa com quem trabalhava na altura. Quando nasceu a minha filha, decidi mudar de vida e trabalhar na região para poder estar mais tempo em casa e decidi-me a ficar só com o negócio dos brindes publicitários. Com o tempo, um cliente meu de Évora perguntou-me se eu não queria levar uma amostra de calçado. Acabei por levar e estive dois anos a vender calçado e ganhei muito dinheiro. Foi nessa altura que pensei abrir um espaço meu, para poder forrar de brindes publicitários, e como era habitual à quarta-feira e ao sábado toda a gente vir à cidade, aproveitava para convidar as pessoas a visitar o meu espaço. Foi assim, com esse espaço que surgiu a oportunidade de ter a PARAPAL. Comecei a vender papel gráfico, aquele que serve para fazer as bandeirolas nos bailes e festas. Tive receio antes de avançar, mas peguei no negócio. A loja estava no centro da cidade, bem situada e acabei por adquirir com a minha mulher, o espaço e a empresa.
Hoje em dia, felizmente, a casa está arrumada, tenho os meus três filhos aqui a trabalhar e as contas de todos os trabalhadores em dia. É um orgulho muito grande para mim ter atingido esta posição, porque nunca sonhei crescer estas dimensões.
NERPOR – O que é que diria ao António de há 30 anos, antes de começar este negócio?
Sr. António Martins - Eu não sonhava chegar a este patamar. Comecei por trabalhar só para o meu conforto e dos meus, para ter um ordenado seguro e uma vida tranquila. Com o passar do tempo o mercado foi exigindo e eu fui crescendo, fui colocando colaboradores à medida do que era necessário. Nunca pensei ter um armazém enorme em Portalegre, e ter 11 colaborares comigo, e atingir o Patamar de PME Líder quando comemoramos 30 Anos da Empresa sob a minha gerência, isso nunca pensei. E isto só aconteceu porque tem havido muito trabalho, dedicação, honestidade e compromisso. Foram esses os valores que passei aos meus filhos. Cada um trabalha aqui, tem a sua vida e eu fico muito orgulhoso e feliz de ter construído este negócio para eles e com eles. Não há palavras que expressem a satisfação que sinto por deixar os meus filhos encaminhados.

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