
É essencial criar um Centro de Captação de Investimento para a região de Portalegre.
Durante anos, o distrito de Portalegre foi tratado sobretudo como um território de compensação. Fala-se de coesão territorial, interioridade, baixa densidade, envelhecimento e perda demográfica. Mas a verdadeira questão económica é outra: que estratégia permanente existe para atrair investimento produtivo para a região?
A resposta continua a ser desconfortável. Existem diagnósticos, programas, incentivos e candidaturas. Mas falta uma estrutura profissionalizada, com capacidade para transformar os ativos do território em investimento, empresas e emprego qualificado.
Defendo, por isso, a criação de um Centro de Captação de Investimento para a região de Portalegre. Não mais um gabinete institucional sem consequência prática, mas um instrumento económico com equipa técnica especializada e uma missão clara: identificar, preparar e disputar oportunidades de investimento.
A região possui vantagens reais: proximidade ao mercado espanhol, disponibilidade de solo, custos operacionais competitivos, potencial energético, base agrícola, ensino superior e qualidade de vida. Além disso, dispõe de espaço para acolher projetos que hoje enfrentam limitações e custos elevados nas zonas metropolitanas.
Mas os ativos, por si só, não geram desenvolvimento. O investimento não chega porque um território “merece”. Chega quando encontra previsibilidade, informação estruturada e capacidade de resposta.
Um investidor quer saber onde se pode instalar, que infraestruturas existem, que incentivos pode mobilizar, que mão de obra está disponível e quais os prazos de licenciamento. Quando essas respostas não existem — ou chegam tarde — o capital escolhe outro destino.
Este centro deveria mapear terrenos, zonas industriais, infraestruturas, energia, água, formação e instrumentos de apoio. Deveria também identificar sectores prioritários e construir uma carteira concreta de oportunidades de investimento em áreas como agroindústria, energia, logística ibérica, turismo qualificado ou indústria ligeira.
Naturalmente, esta estrutura teria de envolver municípios, CIMAA, CCDR, NERPOR, Instituto Politécnico de Portalegre e administração central. Mas com uma condição essencial: menos reunião e mais execução. Menos cerimónia institucional e maior capacidade para contactar empresas, preparar informação útil e acompanhar investidores.
Sem investimento produtivo, continuaremos a discutir a demografia como se fosse inevitável. Não é. As pessoas permanecem onde existem oportunidades, emprego qualificado e perspetiva de futuro.
A criação de um Centro de Captação de Investimento não resolveria todos os problemas da região. Mas representaria um sinal importante de maturidade estratégica: deixar de esperar por oportunidades e começar, finalmente, a disputá-las.
Tiago Braga
Presidente do NERPOR