Foi com alegria que, na sequência dos artigos de opinião que fizemos sobre os mesmos temas, soubemos das coincidentes afirmações do novo presidente da CCDRA - Ceia da Silva - ao mostrar mais ambição para além do «Pisão», no caso do Alto Alentejo, e avisando da tentativa de mobilização das CIM e do Conselho Regional para que possam reivindicar os financiamentos que a região precisa para «fixar empresas, criar emprego e manter aqui os nossos jovens», nomeadamente a ligação da A6 à A23!
Se alguma vantagem trouxe esta ambígua e imperfeita tentativa de aproximação ao processo de regionalização, foi justamente a de libertar um pouco os presidentes das CCDR de terem de ser a «voz do dono», dado que deixaram de ser escolhidos e nomeados pelo governo para serem eleitos pelos autarcas.
Acreditamos que tais afirmações resistam a todas as intensas pressões que se irão fazer sentir e não sejam reduzidas a boas intenções de um presidente acabado de eleger que, cheio de fresco entusiasmo, procura maior consensualidade e abrangência, em contextos mais de dimensão jornalística que de efectiva operacionalidade.
Todos sabemos que não vai ser nada fácil obter os tais financiamentos, basta constatar a sua ausência no plano de investimentos do Estado e recordar o discurso recente da Ministra da Coesão, sendo pois indispensável, como se costuma dizer, «fazer muito bem o trabalho de casa»! Que consiste em mobilizar e agregar em torno dos objectivos as forças vivas da região, pelo menos a sua maioria, autarcas, deputados, direcções regionais dos partidos políticos, instituições cívicas, sindicatos, associações empresariais, comunicação social, escolas, enfim cidadãos em geral!
Só com uma base regional sólida, esclarecida e motivada é que vamos lá! As reivindicações têm de ser concisas, claras e com um plano de execução realista, devendo ser apresentadas ao Conselho Regional como uma decisão já tomada pelo Alto Alentejo!
O Conselho Regional do Alentejo será chamado a manifestar o seu solidário apoio a estas reivindicações do Alto Alentejo, não a proceder à sua avaliação, condicionar ou diluir a sua prioridade, no âmbito mais geral de outras justas reivindicações dos Alentejos Baixo e Central.
A força do Alto Alentejo é que tem de vingar, provocando uma «vaga de fundo» na defesa das 3 ou 4 reivindicações fundamentais para o futuro da região.
As intenções de Ceia da Silva, que saudamos, têm de ser sustentadas nessa «vaga de fundo» resultante de um consenso alargado e actuante das forças sociais e políticas do Alto Alentejo, que devem reunir e definir as prioridades, preparando-se para com muita resiliência articular esforços e iniciativas para as tornar realidade!
Exortamos pois os responsáveis políticos da região, o próprio presidente da CCDR, o presidente da CIMAA, ou mesmo os deputados, entendendo que de alguma destas entidades deve partir a iniciativa do convite para uma reunião com todas as forças vivas da região, dando corpo ao início da «vaga de fundo» que cimente e consolide a força do Alto Alentejo!
Jorge Pais
Presidente NERPOR-AE
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